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Este Estado de Emergência

Com o fim do estado de emergência em Portugal devido ao coronavírus, muitos de nós pensamos em respirar de alívio com o fim do estado de emergência, com a restauração dos nossos direitos e liberdades. Mas na verdade, o que acontece é que, com a utilização do Estado de Emergência de uma forma tão radical e antidemocrática, Portugal abriu uma caixa de pandora que não pode ser fechada.

Em primeiro lugar, vamos analisar o decreto inicial do estado de emergência. Entre outros direitos, os portugueses perderam o direito à greve, à manifestação e à resistência. Isto é, não podíamos fazer greve, não nos podíamos manifestar e não podíamos resistir às autoridades. A questão que se impõe é a seguinte: Porque que é que esses direitos foram suspensos?

A explicação é simples.

 O direito à greve não foi suspenso para evitar que alguma greve se intrometa no combate à pandemia. É difícil de acreditar que os portugueses, deram várias mostras de se auto-organizarem para lutar contra o Covid-19, fossem fazer greve com propósitos egoístas. Não. Aconteceu que a suspensão do direito à greve foi uma manobra politica subtilmente escondida por parte do suposto governo “de esquerda” de impedir que a greve dos estivadores do Sindicato dos Estivadores e Atividade Logística, SEAL, se realizasse. Esta greve, causada pelo lockout dos estivadores por parte dos operadores e a possível contratação de trabalhadores estranhos à profissão por parte de entidades empregadoras ou utilizadoras de mão-de-obra portuária. Em vez de se realizar negociações com vista à normalização da situação, o todo-poderoso estado, em óbvia coligação com as empresas portuárias, acabou com a possibilidade de greve.

O direito à manifestação e resistência também foi limitado, não só por razões sanitárias, mas também como forma de fazer a operação do governo mais fácil, sem entraves. Isto para facilitar o descarado roubo a acontecer, não só de direitos mas também de dinheiro público, como 88 milhões de euros em contratos por ajuste direto supostamente urgentes, mas com prazos de mais de 200 dias. Entretanto, somos distraídos com apelos a uma “guerra” e à união nacional, e com publicidades que nos distraem dos crimes a acontecer à nossa vista desarmada.

Não nos esqueçamos também de algo. Existe em Portugal aqueles que gostariam de meter o país num estado perpétuo de emergência bem camuflado, e cuja experiência servirá como uma forma de tutorial. Enquanto nos distraíamos com o estado de emergência, ouve, no actual, mas não único, partido fascista português, o “Chega”, um golpe partidário silencioso, com eleições partidárias em Setembro, a que todos devemos prestar atenção, pois esta manobra de esmagamento de oposição interna foi usada vezes sem conta, com os exemplos mais relevantes sendo o de Mussolini e de Hitler antes da chegada ao poder. Podemos acreditar que André Ventura & Companhia não são nada, mas sim um grupo exclusivo de alguns saudosistas fascistas, neonazis e de racistas, mas, como a história já nos contou demasiadas vezes, aproxima-se um período de instabilidade politica, económica e social. E, como os dois organismos e simbiose que são, a extrema-direita e o grande capital aproveitam o desespero da população para fazer avançar os seus sinistros objectivos.

Portugal abriu uma caixa de pandora que não pode ser fechada. Resta-nos só estarmos vigilantes para impedir que essa caixa seja usada contra nós.

Wiki

Por Onda Vermelha

¡Olá a todos! Daqui falam os criadores desta revista "Wiki" e "Revolat", que somos ambos estudantes. Esta revista, tem por base a partilha de alguns ensinamentos e lições essenciais , e de como podemos melhorar não só esta nação como também este mundo!

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