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A ESQUERDA E A ECOLOGIA

Nós, os esquerdistas deste mundo, preocupamo-nos com todos os aspetos da nossa sociedade: a economia, os direitos humanos, a saúde, a educação, a cultura, entre outros.  Mas embora possamos discordar nas nossas respostas a estes assuntos, é impossível rejeitar um dos aspetos mais importantes da sociedade humana: a nossa relação com a natureza e o meio ambiente.

Atualmente, o nosso planeta sofre das nossas ações coletivas, com a ameaça de uma catástrofe climática e uma consequente extinção em massa a deixarem o plano da ficção científica distópica para uma preocupante possibilidade no futuro. Existe quem culpabilize este resultado como a inevitabilidade da natureza humana, mas eu creio que isto deve-se a outro motivo: o facto de o capitalismo ser o sistema económico predominante.

Antes do capitalismo se tornar o sistema económico maioritário, a humanidade “colonizava” o planeta, usando os seus recursos para o seu proveito. Mas fazia-o de uma forma que se poderia considerar “ética”, desde o repouso da terra, a exploração comunal dos terrenos e o cuidado pela natureza profetizado por muitas religiões.

Mas quando o capitalismo se tornou o sistema económico predominante, a natureza começou a sofrer, devido aos fatores inerentes ao capitalismo, isto é, a constante procura do lucro. Desta forma, o capitalismo requer constantemente a exploração de novos recursos e mercados, que leva a situações como a destruição da floresta tropical da Amazónia ou da Indonésia, e a explosão das externalidades, como o despejo de gases e águas tóxicas nos ecossistemas, já que é mais barato que tratar efetivamente os resíduos.

É possível para todos nós, mesmo os não socialistas, sermos éticos no nosso consumo e nas nossas ações, tomando uma variada quantidade de ações para reduzir o nosso consumo, reciclar os nossos bens, e poupar os recursos naturais.

Mas como já foi muitas vezes demonstrado, com o grande capital a usar a sua riqueza para influenciar o público sobre o clima e as mudanças climáticas, e o facto das grandes empresas petrolíferas terem escondido as descobertas sobre as alterações climáticas desde os anos 70, o capitalismo é inconjugável com um sistema económico que seja sustentável para a humanidade e a natureza.

Apenas um sistema em que as comunidades detenham os meios de produção, distribuição e troca, isto é, o socialismo, é que a atividade económica poderá ser sustentável para o planeta, pois todos terão um interesse em manter o planeta saudável e sustentável, e portanto, irão gerir a economia nesse rumo.

Mas enquanto o sistema económico for gerido para o lucro privado de um certo grupo, esse sistema será incompatível com a capacidade do planeta, e irá resultar no fim da civilização e da natureza como a conhecemos.  

Revolat e Wiki

Por Onda Vermelha

¡Olá a todos! Daqui falam os criadores desta revista "Wiki" e "Revolat", que somos ambos estudantes. Esta revista, tem por base a partilha de alguns ensinamentos e lições essenciais , e de como podemos melhorar não só esta nação como também este mundo!

One reply on “A ESQUERDA E A ECOLOGIA”

Como biólogo e ecologista, deixo-vos um conselho, abram mais a vossa mente para lá daquilo que são as ideologias políticas. Compreendo a linha de raciocínio deste texto, quando era jovem também pensava da seguinte forma, mas depois aprendi a ver o mundo de uma perspectiva diferente, principalmente, uma perspectiva genética e evolucionária. A humanidade nunca explorou os recursos naturais de uma forma sustentável, nem sequer pensávamos nisso, levamos um sem número de espécies à extinção, incluindo outras espécies de hominídeos como os Neandertais. O que o capitalismo trouxe foi um aumento da produção de alimentos, da qualidade de vida e consequentemente um aumento exponencial da população humana e é isto que faz com que actualmente todas as nossas acções tenham um forte impacto no ambiente, somos quase 8 mil milhões espalhados por todo o globo. Os culpados pelas alterações climáticas, pelos danos causados ao meio-ambiente, somos nós, não o capitalismo.

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/0959378094900035

“The former Soviet Union was the world’s second largest producer of harmful emissions. Total emissions in the USSR in 1988 were about 79% of the US total. Considering that the Soviet GNP was only some 54% of that of the USA, this means that the Soviet Union generated 1.5 times more pollution than the USA per unit of GNP.”

A luta contra as alterações climáticas e por políticas ambientais sustentáveis não deve ser uma luta política, não deve ser uma luta entre esquerda e direita, não deve haver aproveitamento político, deve ser uma luta humanitária. Devemos educar as pessoas, principalmente os mais jovens, fornecer-lhes ferramentas, fundamentalmente científicas, para compreenderem o Antropoceno e actuarem de forma clara e concisa visando um futuro mais limpo e sustentável. O que a política tem feito é precisamente o contrário, traz confusão, cria divisões e cisões na sociedade. Como cientista e profissional envolvido na conservação de espécies há 15 anos, deixa-me fundamentalmente agastado ver que de um lado do espectro político há um aproveitamento da temática ambiental para ganhar votos sem haver o mínimo de racionalidade sobre o assunto e do outro lado há a total negação e muitas vezes a ridicularização do fenómeno das alterações climáticas provocadas pelo Homem.

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