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A questão do Nacionalismo

A questão da nação e da pátria é uma questão importante para vários indivíduos à volta do mundo. Existem povos sem um estado-nação, que através das lutas de libertação nacional, tentam criar uma pátria para si e para aqueles que consideram o seu povo. Existem aqueles que justificam os mais atrozes crimes e os mais repulsivos atos de ódios com a causa da “Pátria”, enquanto outros patriotas acreditam que a causa da pátria ajudará os seus compatriotas no resto do mundo. Existem ainda aqueles, uma minoria, que acreditam que o conceito de “nação” e de “pátria” são conceitos errados, usados para justificar hierarquias opressoras e sistemas de exploração arcaicos.

Portanto, nós, os dois escritores, trazemos as nossas opiniões sobre o conceito de pátria e nação, e se são justificáveis hoje em dia. O Revolat já explicou parte da sua opinião num artigo, https://ondavermelha.data.blog/2020/06/08/ser-ou-nao-ser-eis-a-questao-nacionalismo/, mas de qualquer maneira, acreditamos que este debate ajudará o leitor a esclarecer a sua opinião.

Revolat:

Quanto a mim, apoio bastante o nacionalismo, pois defendo que a nação deva adquirir os seus poderes através de uma grande união popular, que nos identifiquem pela nossa maneira de ser ou pela nossa cultura. Defendo também este conceito, pois permite-nos manter mais ocorrentes dos assuntos do país, e para além disso consciencializa-nos do nosso papel que desempenhamos enquanto cidadãos da nossa nação.

Wiki:

Todo o ser humano tem o desejo de pertença a uma comunidade, a algo que seja maior que nós e cujas características nós nos identifiquemos. Dá para ver isto no facto de nos identificarmos normalmente com uma variedade de comunidades, desde futebolista, basquetebolista, cinéfilo, nerd ou geek. Mas existe uma distinção entre estas comunidades, a quem nós nos juntamos voluntariamente, em relação com uma suposta identidade nacional, étnica ou cultural, que nós não escolhemos se pertencemos ou não. Portanto, não percebo a ideia que a nação seja uma “grande união popular”, pois uma identidade nacional quase nunca é voluntária.

Revolat:

De facto, esta união não tem como objetivo forçar alguém a ser nacionalista, mas simplesmente a sentirem-se integrados nesse grande grupo, e nesse país que os acolheu tão bem. É ótimo cada um de nos pertencer a 1 ou mais comunidades, porque faz parte do nosso ser, mas de acordo com a liberdade, cada um escolhe o que quiser, tendo também liberdade entre pertencer ou não pertencer à “grande união popular”.

Wiki:

Muitas vezes os países em que um ser humano vive não “os (acolhem) tão bem”. Por exemplo, os turcos e os curdos. Os Curdos são nominalmente turcos por nacionalidade, mas não se sentem turcos, e por isso tentam reclamar por um estado seu. Mas, existe um problema. Muitas vezes, a questão das identidades nacionais é uma matrioska. Um curdo pode não se sentir turco, mas um assírio pode não se sentir curdo, e viver nas áreas que os curdos reclamam como suas. Isto também existe nas regiões fronteiriças. Antes da existência do estado nação, da ficção nacional e das fronteiras rígidas, as populações das regiões fronteiriças viviam em paz, com poucas distinções na cultura e na língua, como por exemplo, entre a Galiza e Portugal. Mas quando aquelas instituições começaram a nascer, essas comunidades começaram-se a separar cada vez mais.

Revolat:

Então nesses casos a minha proposta é que cada um de nós siga a nacionalidade com que mais se identifica, por exemplo: se não me identifico com o facto de ser português, seria cubano. Porém há o problema das ditaduras, mas como todos cremos que o mundo está em evolução, ninguém poderá ser submetido a algo que não queira, e enquanto essas barreiras não desaparecerem temos de insistir e procurar fatores positivos sobre pertencer a essa nação ou não.

Wiki:

Isso ignora o facto que muitas identidades culturais não são grandes o suficiente para criarem um estado-nação. Por exemplo, os mirandeses podem não se identificar com Portugal e Espanha, mas não são grandes o suficiente para criarem um estado-nação, e portanto, têm que se submeter à identidade portuguesa. Ignora também que muitos estados nação não deixarão que uma parte do seu país saia do seu poder para criar outro estado, e portanto, irão lutar com unhas e dentes para impedir isso. Exemplo, os turcos e os curdos. Finalmente, ignora o facto que as barreiras à mudança de identidade nacional são intrínsecas à existência do estado nação e do conceito de pátria. Existe também o problema da ficção nacional, em que um líder ou uma elite, para aumentar ou reforçar o seu poder, tentam unificar a nação através de uma ficção acional, que, como o nome indica, é uma ficção criada para artificialmente criar um sentimento de pertença a uma identidade cultural unificadora.

Revolat:

Infelizmente estamos rodeados desses casos, onde apesar das diferenças entre regiões, não é possível que uma se torne independente, a não ser que haja inúmeros fatores a favor. Agora, apesar do potencial desejo dos mirandeses, podemos sempre atribuir mais direitos para essas regiões diferentes, onde possam sentir que essa é a casa deles, onde podem governar, apesar de viverem num país que não gostam. Mas no mínimo cada um deve ter direito à sua identidade e à mesma ser aceite por todos, o que infelizmente não se verifica, e o meu conceito nacionalista, reside no facto de a nação ser como um exemplo para os demais habitantes, e eles terem a liberdade de escolha em termos de comunidades a aderir.

Wiki:

Tal ideia sobre o estado-nação não reflete a realidade, nem se pode tornar realidade. O estado-nação moderno nem sempre dará autonomia às comunidades culturais distintas. Além disso, o estado-nação é uma barreira intransponível à fácil mudança de identidades culturais, ou à criação de novas identidades. Se numa região, houver uma identidade cultural nova mas distinta, o estado-nação muito provavelmente não a irá reconhecer, e se for um obstáculo à “nação” ou ao “estado”, essa identidade será passivamente ou ativamente oprimida. No que toca ao estado-nação, o problema não é a nação, pois todos devem ter o direito à nacionalidade e à identidade cultural, mas sim o estado. O estado permite a identidade dominante numa região delimitada oprimir minorias, ou para as elites do estado-nação usarem bodes expiatórios para esconderem os seus crimes. A verdadeira identidade nacional e cultural apenas poderá existir quando o estado for abolido.

Revolat:

De facto, o estado tem de promover e valorizar as suas diferenças étnicas e culturais, sem que haja favores à independência e desde que essas regiões não sejam oprimidas. Com isso, o nacionalismo é algo que tem fatores positivos e negativos, e nós teremos de o jogar a nosso favor em cada questão, para alcançar a felicidade dos demais. Não creio que sociedades sem-estado possam ser nacionalistas, porque haverá sempre alguém insatisfeito com as realidades, e como defensor dos direitos humanos, para além de cada um ter a sua nacionalidade, tem de ter e ser respeitado no que toca as suas crenças, ideais ou cultura.

Wiki:

Pareces que queres ignorar a realidade e a minha explicação. O que eu quero dizer é que o nacionalismo, quando misturado com a existência de um estado nação, cria uma situação terrível para as minorias de um país, para que as elites lucrem dessa situação. Por exemplo, o nacionalismo americano do século XIX, com o “Manifest Destiny”, que resultou em várias guerras, em genocídios, e na completa destruição da sociedade indígena. O mesmo acontece com imensos outros tipos de nacionalismo, que, quando conjugados com a existência de um estado, são incompatíveis com essa ideia de tolerância entre culturas e etnias numa nação. Mas o “nacionalismo”, nas suas muitas formas, é possível em regiões sem estados ou com estados libertários. Por exemplo, na comunidade anarquista coreana da Manchúria, em Rojava, Com os zapatistas e a sua identidade indígena, etc. Apenas quando o estado deixa de existir, ou é recreado de uma forma revolucionária, é que os povos de um país podem verdadeiramente formar a sua identidade cultural, em comunhão com todos os outros povos.

Por Onda Vermelha

¡Olá a todos! Daqui falam os criadores desta revista "Wiki" e "Revolat", que somos ambos estudantes. Esta revista, tem por base a partilha de alguns ensinamentos e lições essenciais , e de como podemos melhorar não só esta nação como também este mundo!

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