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A greve geral na Índia

Quinta-feira, dia 28 de novembro, em toda a Índia, a maior greve geral da história da humanidade começou. 250 milhões de trabalhadores e camponeses, com outros aliados, participaram nesta greve. Centenas de milhares de camponeses bloquearam os acessos à capital, enquanto por todo o país mais e mais trabalhadores juntam-se à greve solidariamente.

Esta greve geral foi organizada por 10 confederações sindicais, e pelo “All India Kisan Sangharsh [Luta dos Agricultores] Coordination Committee”, que é composto por mais de 200 organizações de agricultores. Organizações dos direitos da mulher, uniões estudantis e movimentos da sociedade civil também participaram na greve.

No contexto económico da pandemia da Covid-19, à qual a Índia sofreu uma redução do PIB de 23.9% e com uma taxa de desemprego de 27%, números inéditos na Índia, e sobre o constante ataque aos direitos dos trabalhadores e camponeses por parte do governo fascista de Modi e do BJP (Partido do Povo Indiano), os grevistas impõem várias medidas ao governo, que se recusa a negociar, e, como qualquer governo que serve a burguesia, usa a polícia para reprimir os grevistas e usa bandidos para assassinar os seus líderes, que mesmo assim conseguem continuar com a sua luta.

A LUTA DOS GREVISTAS CONTRA AS LEIS ANTI-TRABALHADORES

O estado indiano tem passado ultimamente várias leis que atacam os camponeses e os trabalhadores, com medidas para enfraquecer as posições dos camponeses indianos perante os compradores, que virtualmente acabam com o direito à greve, que retiram os direitos dos trabalhadores a quem trabalhe em fábricas com menos de 40 trabalhodores, que apoiem a precarização do trabalho, entre muitas outras medidas.

A greve continuou depois do dia 28 e continua devido à intransigência do governo indiano em negociar com o seu povo, e portanto, continuam a ser planeadas novas greves e novas ações de solidariedade na sociedade indiana perante o governo fascista de Modi, que serve os grandes interesses económicos, e as suas leis contra os trabalhadores.

O QUE PODEMOS CONCLUIR?

Greves gerais deste tamanho não são raras na Índia, acontecendo sempre que o governo indiano passa novas leis contra os trabalhadores. Portanto,à primeira vista, é improvável que haja potencial revolucionário nesta greve. No entanto, o que é de facto raro em greves gerais na Índia é o facto que quase duas semanas já passaram e a greve geral continua e novas greves e ações de solidariedade continuam a ser planeadas e propostas.

É possível que a pandemia da Covid-19, conjuntamente com as consequências económicas e a incapacidade permanente do governo fascista de Modi de preservar a saúde pública leva a que os trabalhadores indianos tenham finalmente alcançado a consciência necessária, se não a de começar uma revolução socialista, ou pelo menos lutar até ao fim contra o governo e contra as suas leis anti-trabalho.

Para nós, que não vivemos na Índia, o que se pode aprender é que, em períodos em que haja uma ofensiva do capital e do estado burguês, é necessário, além de uma mobilização da classe operária e dos seus aliados, uma estrita coordenação entre os partidos e os sindicatos de diferentes cores políticas, como aconteceu na Índia. Os vários partidos comunistas indianos, mesmo com as suas diferenças ideológicas, uniram-se a outras forças políticas progressistas e mesmo as forças políticas democrático-burguesas e as respetivas confederações sindicais para que objetivos concretos e imediatos de melhoria da situação da classe trabalhadora sejam alcançados.

A greve geral indiana de 2020 e os consequentes protestos, mostram a todo o mundo que, quando a classe trabalhadora se une e se revolta contra aqueles que impõem o seu poder e a sua exploração, as classes dominantes rapidamente tremem e mandam para a luta todos os seus cães de fila.

Um bom exemplo do verdadeiro horror que as classes dominantes mundiais tem perante esta greve é a falta de notícias relevantes nos meios de comunicação portugueses sobre uma greve geral em que 3% da população mundial participa, com medo que as classes trabalhadores nacionais aprendam e se inspirem na luta dos trabalhadores e camaradas indianos.

Usemos o exemplo do esforço e do sacrifício dos trabalhadores indianos para aprendermos e para nos inspirar a lutar contra a burguesia, contra o estado burguês, contra o capitalismo e contra a exploração do homem pelo homem.

Proletários de todo o mundo, uni-vos!

Wiki

Por Onda Vermelha

¡Olá a todos! Daqui falam os criadores desta revista "Wiki" e "Revolat", que somos ambos estudantes. Esta revista, tem por base a partilha de alguns ensinamentos e lições essenciais , e de como podemos melhorar não só esta nação como também este mundo!

One reply on “A greve geral na Índia”

Muito bom artigo, e ações muito impresionantes de nossos imãos indianos! O valor do movimento destes trabalhadores indianos não pode ser aferido. A ver uma demonstração desta escala dá-me esperança que os trabalhadores da América do Norte e da Europa podem fazer o mesmo. Obviamente precisamos de muito mais conhecimento popular de consciência de classe (ou “class consciousness” como dizemos em inglês), mais as ações de nossos amigos indianos são um signal bom para todos os trabalhadores do mundo.

*Perdoe-me para qualquer erro orthográfico, o meu conhecimento de português não é tão bom!*

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